19/06/2007 | O Parto

Por Dra. Maria Helena Saad
Ginecologista e Obstetra


Seria muito diferente o comportamento da gestante no trabalho de parto se ela conhecesse tudo o que acontece em seu corpo, nesse período. O conhecimento promove a paz, também.
Em 1º lugar, a gestante precisa saber que a dor no trabalho de parto não lhe é desconhecida, pois se trata daquela cólica menstrual à qual já está acostumada pela vida afora. Em 2º lugar, deve saber que o trabalho de parto, até o nascimento do bebê, dura de 8 a 12 horas se ela for primigesta, ou seja, esteja em sua 1ª gestação, ou 6 a 8 horas se já tiver engravidado antes.
Ela está em trabalho de parto quando seu útero contrair-se 3 vezes a cada 10 minutos, sem parar. Dali em diante são 8 a 12 horas, ou 6 a 8 horas, para dar à luz seu filho. O início do trabalho de parto, portanto, está determinado pelo início das contrações rítmicas, durando de 30 a 40 segundos, geralmente, cada uma.
No início do trabalho não há dor; simplesmente a mãe nota um endurecimento abdominal em cada contração. É seu útero contraindo-se. Quando o colo do útero já está dilatado em 5 cm, cada contração uterina promove aquela cólica semelhante à menstrual, já conhecida. A partir daí, a gestante poderia ser submetida à analgesia de parto, ou seja, seria feita a anestesia peridural que lhe tirará a dor, porém não a sensibilidade (analgesia).
Se houvesse, durante esse período de dilatação do colo, alguma anormalidade, seria feita a cesárea, com a anestesia já pronta, pois bastará ser injetado mais anestésico para a cirurgia ser realizada, sem dor. Para isso o anestesista deixa no espaço peridural, nas costas da gestante, um cateter (tubo fino) posicionado, para receber mais anestésico, se necessário.
É o parto sem dor, dádiva que deveria ser instituída para toda a gestante brasileira, desde que ela prefira, desde que ela não suporte as cólicas do trabalho de parto. Evitar-se-iam muitas cesáreas desnecessárias, feitas somente para cessar a dor da gestante.
O anestesista, após instalar essa analgesia, deveria estar ao lado da gestante, controlando o procedimento feito. O obstetra da mesma forma, inclusive porque, a cada 2 horas, deverá examinar a gestante por meio do toque vaginal, verificando a progressão da dilatação do colo e da cabeça fetal, descendo pelo canal de parto. Isso, portanto, é dispendioso. Há necessidade, ainda, de se ter o pediatra presente no momento do parto para o atendimento ao recém-nato. Isso é dispendioso, volto a dizer. Mas será que não vale a pena o gasto para se ter um parto adequado, com toda proteção à mãe e ao seu filho? Sabemos que em torno de 70% do povo brasileiro usa o SUS (Sistema Único de Saúde), que é governamental. Portanto o SUS deverá arcar com essas despesas prioritariamente. É hora de, no Brasil, dar-se muito mais valor à vida da mulher e de seu filho. Os gastos feitos com cesáreas desnecessárias indicadas para suprimir a dor no trabalho de parto pagariam muitos "partos sem dor".
No início do trabalho de parto a gestante poderá sentir urgência em evacuar, indo várias vezes ao banheiro. É que a contração uterina estimula também o funcionamento intestinal. Dias antes, até um mês antes, durante o pré-parto, poderá sentir muitas contrações e perda do tampão mucoso do canal cervical uterino, semelhante à grande porção de catarro, por vezes até sanguinolento. Isso significa que o parto se aproxima; porém, enquanto não se iniciarem as 3 contrações com 10 segundos, ainda, não se configura o início do trabalho de parto. Entretanto, se houver perda de líquido semelhante a mais ou menos 1 copo de água, deverá dirigir-se à Maternidade e procurar o obstetra, pois daí em diante poderá haver infecção, se o parto não acontecer nas próximas horas.
Ao chegar na Maternidade, muitos serviços ainda usam de rotina a lavagem intestinal para se evitar a eliminação de fezes durante o parto (período expulsivo). Ela é feita de maneira simples e indolor com um líquido que, ao ser introduzido no reto, promoverá a evacuação. Também poderá ser feita a tricotomia, ou raspagem dos pêlos pubianos. Em seguida, a gestante deverá permanecer deitada de lado, evitando-se o sofrimento fetal. Poderá, ainda, andar ou sentar-se, se preferir, enquanto não for iniciada a analgesia. A cada 15 minutos deve-se auscultar o coração fetal, antes, durante e após cada contração. Só assim saberemos se o feto está bem, sem sofrimento.
Muitas ocorrências podem levar à necessidade de uma cesárea, tais como: sofrimento fetal, o trabalho de parto prolongado, a desproporção entre cabeça fetal e a bacia materna, impedindo o parto normal, a macrossomia fetal (fetos muito grandes), a apresentação pélvica (feto encontra-se sentado ao nascer) causadora de sofrimento fetal, as gestações de risco, as cesáreas anteriores (duas cesáreas anteriores indicam a necessidade de outra cesárea, com laqueadura, pois em nova gestação o útero poderá romper-se) etc.
 Durante o nascimento do bebê por parto normal, ou seja, no período expulsivo, a mãe sentirá necessidade de fazer força como em uma evacuação, auxiliando e promovendo, assim, a expulsão do feto. Ideal nesse momento seria a posição semi-sentada numa cadeira "cadeira de parto", ou com a mesa mais baixa do lado das pernas, p/ a força da gravidade ajudar a mãe a expulsar o bebê. O obstetra orientará a mãe para empurrar o bebê em cada contração e promoverá a episiotomia na saída da cabeça fetal, quando necessário. É que, por vezes, se a episiotomia - corte na região do períneo - não for feita, poderá haver laceração espontânea da vagina, até o ânus, causando lesões. Hoje em dia, porém, esse corte só é feito quando o obstetra percebe que haverá laceração à saída da cabeça fetal. Por vezes, com maior tranqüilidade, a cabeça do bebê vai sendo expulsa sem necessidade de episiotomia, e sem lacerações.
Há que se contar com uma gestante calma e bem orientada, sem dor, para colaborar nesse momento, pois é a mãe que dá à luz ao seu filho, e não o obstetra. Portanto, aulas de preparo para o parto são absolutamente necessárias a todas as gestantes durante o longo período de 9 meses em que a mulher "prepara" outra pessoa.

 

NÓS DA ANJOS EMERGÊNCIA ESTAMOS PREPARADOS PARA ATENDÊ-LO, SEMPRE QUE HOUVER NECESSIDADE

11 2675-9673 / 2674-7398

 

 
11 2675-9673
11 2674-7398

 
H1N1
Lei Antifumo
Prevenindo Pelo Alimento
O Parto
Histórico dos Transplantes de Medula Óssea

 


 
 
Anjos Emergência e Remoção 24 horas
Rua Cândido Lacerda, nº95 - CEP: 03336-010
Tatuapé - São Paulo - SP

Central de Atendimento: 11 2675-9673 / 2674-7398